sábado, 19 de setembro de 2015

As Mil e Uma Noites de Korsakov

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Há alguns dias a novela turca "Mil e Uma Noites" terminou na Rede Bandeirantes. Fazia um bom tempo que eu não acompanhava com tanta dedicação uma história. Embora eu adore assistir novelas (sou noveleira mesmo!), mas ultimamente não tenho muito saco para segui-las, a não ser que a história seja muito envolvente, com narrativa rápida e com poucos personagens. Entretanto não quero falar sobre esta série turca, mas sim sobre sua trilha sonora que me chamou muita atenção.

A trilha sonora instrumental da novela é muito bonita e foi baseada na obra "Scheherazade" do compositor russo Nicolai Rimsky Korsakov. Em inúmeras passagens da série turca é possível escutar trechos da obra de Korsakov, como, por exemplo, nos momentos em que o personagem Onur (Halit Ergenç) escuta um CD da peça musical, enquanto pensa em sua amada e/ou na cena final em que narram um resumo do livro "As Mil e Uma Noites" e fazem um paralelo com a história da novela.




Scheherazade é uma suíte sinfônica composta há mais de 120 anos por Korsakov e foi baseada no livro "As Mil e Uma Noites". A série de movimentos desta obra é algo espetacular. Não encontro palavras para descrever a imensa beleza. Talvez exista alguma palavra apropriada em alemão. Os alemães são bons nisso. 

A obra começa com movimentos graves, taciturnos e desesperadores progredindo para uma melodia mais sensual e delicada, intercalando com movimentos mais dramáticos e líricos, chegando a conclusão mais romântica e pacífica, nos possibilitando o direito de imaginar as cenas com os personagens. Além disso, é impressionante a genialidade musical de Korsakov quando ele permite que todos os instrumentos tenham voz própria. É um majestoso agrado aos ouvidos. Como não sou conhecedora de música clássica, aqui segue o link de uma perfeita análise desta obra



Além de Korsakov, outra música clássica aparece com destaque na novela turca. "Sarabande" do compositor barroco germânico Händel sempre marcava presença em cenas de grande dramaticidade. Para título de curiosidade, esse tema também fez parte da trilha sonora do famoso filme "Barry Lyndon" de Stanley Kubrick.

Abaixo seguem alguns temas feitos para a novela: 










Espero que tenham gostado e como puderam ver, as vezes, novela também é cultura rsrsrs. Agora preciso urgentemente seguir os passos do personagem Onur e ler os contos das Mil e Uma Noites enquanto escuto simultaneamente a belíssima "Scheherazade" de Korsakov. Vai ser uma bela viagem ao oriente.





sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Aretha Franklin: a voz do universo


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"You make me feel, you make me feel, you make me feeeeeel... li-ke a na-tu-ral woman" ♪♫

Ai Aretha Franklin... A revista Rolling Stones tem razão em colocá-la como a maior cantora de todos os tempos. Não considero nenhum exagero, pelo contrário, até acho justíssimo. Entretanto, eu sei que essas listas não interessam a ninguém. Apenas aos fãs, é claro. São listas baseadas em opiniões, nada mais. Além disso, o universo musical é vasto, com muitos idiomas, inúmeras culturas e é praticamente impossível fazer este tipo de classificação. Por isso, sou do ponto de vista de que não existe "a maior cantora de todos os tempos", mas sim a maior cantora para cada um. E no meu caso, sou apaixonada pelas canções de Aretha Franklin.

Aretha Franklin - Spanish Harlem

Eu sou uma pessoa completamente fascinada por música. Tanto que até virou uma mania, pois qualquer palavra em uma conversa me remete ao trecho de uma canção. Sou um jukebox ambulante! Por isso, adoro passar horas escutando músicas, conhecendo novos sons, amo trocar ideias a respeito, gosto de saber sobre os gostos musicais dos meus amigos ou de pessoas que acabo de conhecer, e, na medida do possível, gosto de ler sobre o assunto. Tudo de maneira despretensiosa, obviamente. Me dá muito prazer.

Aretha Franklin - I say a little prayer

Particularmente, adoro debater sobre cantoras e não sobre bandas, como fazem a maioria das pessoas. Não manjo nada de melhor guitarrista, melhor baterista, melhor baixista, melhor blá blá blá. Claro que conheço algumas coisas e do pouco que sei eu comento. Mas gosto de me ater a voz, que considero o maior instrumento musical por motivos óbvios. A voz é o instrumento musical mais antigo e natural, além de ser o mais difícil de ser trabalhado. Sobretudo, gosto muito das vozes femininas, pois me emocionam com mais frequência. Talvez isso explique o meu deslumbramento pelas cantoras.


Aretha Franklin - You made me love you

Aliás, essa conversa toda me fez lembrar que na infância, como a maioria das meninas, eu adorava imaginar que era uma cantora de sucesso. Improvisava microfones com tampas de desodorante Axe, rolo de papel higiênico e fita isolante preta. Pronto, aí estava meu microfone! Os anos se passaram, eu cresci e me tornei uma cantora de karaokê. Mas acho que ainda dá tempo de aprender a cantar e começar minha carreira na churrascaria. rsrs

Aretha Franklin - A Natural Woman

A ariana Aretha Louise Franklin, como a maioria dos grandes cantores americanos, começou a cantar na igreja de seu pai. Iniciou sua carreira gravando blues e jazz, pois na época a imaginavam como a "nova Billie Holiday". Mas foi cantando R&B e soul que ela se tornou "A Rainha" e "A Voz do movimento dos direitos civis". 

Aretha Franklin - Respect

Os especialistas costumam elogiar sua enorme técnica e a grande potência de sua voz. De fato é uma mezzo-soprano poderosíssima e faz melismas ágeis como ninguém. Tudo na medida certa, sem exageros. Mas, pra mim, sua grande qualidade é na interpretação. Muita gente costuma babar o ovo da Whitney Houston, mas sempre achei ela uma cantora fria, que possuía muita técnica, mas era zero em emoção. E como boa psicóloga que sou, acho que tudo na vida deve ter emoção. A emoção é o movimento da vida, sem ela não existem as grandes recordações, por exemplo. E isso Aretha Franklin faz com classe e com total autoridade. Canta como se ela estivesse parindo o cosmos de dentro de suas vísceras.

Aretha Franklin - Nobody Like You

E por falar em emoções que geram recordações, a voz de Aretha Franklin remete-me as cenas mais doces, naturais e sensíveis de diversos filmes. Me dei conta de que amava soul quando escutava suas músicas nos filmes. O mais engraçado é que a primeira vez que escutei o nome de Aretha Franklin foi em uma entrevista do Supla a uma rádio de São Paulo. Eu deveria ter uns 15 anos. "Então essa voz é de Aretha Franklin!", eu pensava admirada. Acho que tive a mesma sensação de descoberta do Arquimedes. Ele na banheira e eu na cozinha da minha casa fazendo o desjejum. rsrs

Aretha Franklin - Try A Little Tenderness

Hoje Aretha não é a mesma de antigamente. Já é uma senhora septuagenária. Gosto muito da sua fase sessentista e setentista. Daí pra frente confesso que não me agrada muito. Com todo respeito as grandes cantoras que adoro, como Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Joan Baez, Nina Simone, entre outras deusas, mas não tenho dúvidas de que a "Grande Mãe" é a Aretha Franklin. Ela é a voz do universo e a minha cantora estrangeira preferida. Quem não conhece, eu afirmo que vale MUITO a pena escutar. Uma das maravilhas deste mundo.



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Vivendo em outra época

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Em que época você gostaria de ter vivido?

Começo esta postagem com uma pergunta que acredito que muitos já escutaram. Invariavelmente já fiz esta pergunta para muitas pessoas e obtive respostas de todos os tipos. Gente que queria ter vivido nos anos 80, outros na década de 70, outros mais especificamente no Rio de Janeiro da década de 50 e por aí vai.

Na semana passada assisti o filme "Meia-Noite em Paris" do famoso cineasta Woody Allen. Em resumo, o filme conta a história de um roteirista americano chamado Gil Pender (Owen Wilson, aquele moço do nariz ondulado) que viaja para Paris com sua noiva e seus sogros. Mas diferente dos outros, Gil é absolutamente encantado com a Cidade Luz e imagina que a melhor época da história tenha sido os anos 20, época de grandes artistas. Um dia, andando pela cidade, exatamente à meia-noite, Gil entra em um carro que o transporta para a década de 20 no qual acaba conhecendo vários artistas que admira. E esta cena se repete diversas vezes. Daí pra frente acontecem muitas coisas e as reflexões vão aparecendo. Mas não vou prolongar muito este resumo para não ser SPOILER. 

No entanto, ao assistir o filme me veio uma pergunta: Será realmente que já existiu alguma época de ouro na história da humanidade? Vão pensando aí e depois retorno a esta pergunta.

No filme é citado que o personagem Gil Pender sofre do Complexo da Era de Ouro. Ou seja, uma pessoa que crê que no passado as coisas eram melhores. No entanto, trata-se de um saudosismo por uma época que não viveu. Saudosismo por algo imaginário. 

Creio que todos nós já sofremos deste complexo em algum momento da vida. Quantas vezes não pensamos que a música, a literatura, os programas de televisão eram melhores do que hoje? Quantas vezes não escutamos de amigos que gostariam de ter vivido em outra época? Aliás, eu já pensei assim muitas vezes. Já cheguei a afirmar que nasci na época errada. Mas existe época certa ou errada? 


Cenas de São Paulo, anos 50 / 60



Eu sempre tive um fascínio pela década de 60. Minhas bandas e cantores favoritos são desta época, o futebol brasileiro estava em seu auge, a moda, a maquiagem e a efervescência cultural da década me chamam muita a atenção. Aquela mistura de cabelos escovados com roupas de estampas geométricas e a psicodelia me hipnotizam até hoje. Mas será realmente que era tão bom assim viver naquela época?


Festival de MPB de 1967. Já dá pra perceber que o brasileiro sempre curtiu uma vaia, né. Os comentários saudosistas são os melhores.


Nos anos 60, o mundo estava em Guerra Fria, o Brasil sofreu um golpe militar e transformou-se em uma ditadura, mulheres e negros ainda estavam conquistando direitos (ainda continuam), a desigualdade em nosso país já era muito grande, o acesso as informações era difícil (nem todo mundo tinha televisão em casa), as pessoas fumavam em qualquer lugar, não existia a lei do divórcio, não existia internet, youtube, facebook e tão pouco um blog como este.


Assim como o personagem do filme, nós ficamos impressionados apenas com as coisas boas do passado. Por este motivo fica muito mais fácil sonhar com uma época que não vivemos. O presente é sempre tedioso. Preferimos a fuga para evitar os confrontos com o que não nos agrada. O engano do personagem e que todos nós cometemos também, é que a vida por mais que fosse divertida em outra época (hoje ela também é!), mas quando tudo se tornasse rotineiro nos sentiríamos da mesma forma que nos dias atuais. Afinal de contas na década de 60, eu também teria que estudar (acredito que seria mais difícil), trabalhar, pegar ônibus lotado e nem existiria metrô para me ajudar a ir da zona sul até a zona norte de São Paulo. E muito possivelmente eu iria querer ter vivido na década de 40, sonhando com a Era do Rádio e com os gols do Leônidas da Silva pelo Tricolor.

Voltando a pergunta que fiz anteriormente, acredito que nunca existiu uma época de ouro na história da humanidade. Cada Era teve suas dores e suas delícias. Algumas com mais dores do que delícias, diga-se de passagem. Jamais queria ter vivido na Idade Média, por exemplo. No futuro, talvez daqui a vinte, trinta anos, os dias atuais também serão lembrados com nostalgia por quem viveu e não viveu esta época. Por isso, o melhor é aproveitar o que a nossa Era tem a oferecer.






quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O amor é cego. O amor político então...

Pois é, caros leitores. O amor... Aaaaaahhh o amor!

Existe um mito grego chamado "Eros e Psiquê". Eros, o deus do amor, com vendas nos olhos acertava flechas encantadas nas pessoas para que ficassem apaixonadas. Até que certo dia, acidentalmente, Eros acerta a si mesmo e apaixona-se pela jovem mortal Psiquê. Daí pra frente, acontecem muitas reviravoltas nesta história. Psiquê casa-se às escuras com Eros e fica completamente apaixonada por ele, mesmo sem poder vê-lo. E desta história vem a expressão "o amor é cego". Mas não é somente o amor romântico, bonito e sentimental que é cego. O amor político causa cegueira também. Chega a doer nos olhos de quem enxerga e lê opiniões soltas por aí. E é disso que quero falar agora.

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Não aguento mais os chatonildos metidos a "politizados". De um lado os anti-petistas que sempre arrumam um jeito de colocar a culpa de tudo no PT e em seus correligionários, os clamadores do impeachment da Dilma e do golpe militar, as viúvas do Aécio Neves que ainda acreditam que ele é um exemplo de político e os perseguidores de ex-presidente (entende-se Lula). Gente que parece cachorro louco, espumando raiva e preconceitos por aí.

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Do outro lado vem os petistas e sua incansável perseguição aos tucanos, tentando mostrar ao outro grupo como o PSDB é pior que o PT. Neste grupo temos os defensores de José Dirceu (isso é sério, companheiro?) e abafadores da incompetência administrativa da Dilma. Tristemente ingênuos.

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Em seguida vem os que odeiam políticos. Acham que todos são iguais, PT e PSDB são farinha do mesmo saco, acredita que trouxa é quem vota neles, que o ideal é anular o voto. Esses tipos acham que todos são idiotas, menos eles. Eu penso que todo mundo é idiota, incluindo eles. Reclamar e apoiar voto no "Sr. Ninguém" não resolve a situação. O Sr. Ninguém não governa e não anula eleição.

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Eu me considero esquerdista (em outro momento faço um texto sobre isso), mas a esquerda também não fica atrás nas tolices. Alguns vivem o sonho impossível de uma sociedade socialista/comunista, reclamam de tudo, esperam o candidato ideal que não existe, tem uma linguagem rebuscada para explicar as coisas, vivem dando Ibope ao maluco do Olavo de Carvalho, falam em revolução que nunca existirá. E essa revolução simplesmente não existirá porque o povo não quer revolução nenhuma, camaradas. Enfim, são uns nefelibatas irritantes.

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Aí temos os perseguidores das causas das minorias. Estes são os piores tipos, pois extrapolam a simples visão política, mostram sua ótica desfocada de humanidade. São apenas odiadores imbecis. Fazem piadas preconceituosas, xingam feministas, defensores dos animais, agridem ativistas da causa LGBTT, são racistas e extremamente agressivos. Ah! Sem contar que adoram se fazer de coitados (como é difícil ser homem, branco, heterossexual e rico nesta sociedade!). Enfim, são pessoas escrotas e asquerosas.

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Por fim, não poderia faltar ALGUNS (bem destacado mesmo) defensores das minorias que simplesmente estragam as causas importantes. Muitos extrapolam na chatice querendo enfiar goela abaixo suas opiniões sobre tudo, mostrando-se intolerantes, como em assuntos religiosos, por exemplo. As vezes enxergam pelo em ovo, como no caso das babás dos filhos da Fernanda Lima.

O pior é que tudo isso na maioria das vezes vem acompanhado de clichês e se for no facebook é possível ver imagens montadas (os famosos memes) com textos, as vezes engraçadinhos, mas desgraçadamente de mau gosto.

Sabe o que todas essas pessoas tem em comum? O amor político cego. Aquele amor que tira qualquer racionalidade possível de um debate. É estar verdadeiramente apaixonado por uma ideia que não permite que os defeitos e erros sejam considerados, mas sim, abrandados, perdoados. Aquele amor que te faz pensar com o intestino e não mais com o cérebro. Quanto mais curtidas sua foto ou texto político tem, mas se sente poderoso e com vontade de continuar a soltar chorumes por aí (Ai se existisse a opção descurtir para mostrar a verdadeira realidade! Sonho meu...). Se você não pensa como eu, você pensa como meu inimigo. Você é coxinha. Você é petralha. Você é reacionário. Você é esquerdopata. 

Acho muito bom que possamos expressar abertamente nossas opiniões, claro desde que isso não interfira na integridade física e moral de outras pessoas. Desde que não seja violento e contenha discurso de ódio, pois ai já não é mais expressar uma opinião. Com o avanço da internet, hoje é possível separar o joio do trigo. As ervas daninhas das ervas boas. Nos aproximar mais de quem pensa parecido com a gente. Mas, sei lá, cansei deste tipo de pessoa. Quero que se danem.






Ciclovias, marginais e o chororô paulistano

Foto de William Cruz. Site Vá de bike.


Olá queridos leitores!

Quase um ano depois volto a escrever nesta bodega. Ultimamente andei concentrada em outras atividades, mas voltei. Antes tarde do que nunca.

E nesta volta quero falar sobre alguns assuntos que estão enchendo o meu saco nos últimos meses com as reclamações das pessoas ao meu redor. Como moro em São Paulo, obviamente que estou falando das ciclovias e da redução da velocidade nas Marginais Pinheiros e Tietê.

Primeiro, quero deixar claro algumas coisas. Eu não tenho carro (aposto que continuou cantando "Lepo Lepo" mentalmente), não tenho bike (nem sei pedalar, mas quero aprender em breve, a bicicleta é o futuro da nação) e sou usuária do deficiente transporte público da cidade de São Paulo (os corredores de ônibus facilitaram a minha vida e de muitas pessoas também).

Durante estes últimos meses escutei o chororô de muita gente reclamando de tudo:


"Pra quê ciclovias diminuindo ainda mais o espaço dos carros e aumentando o trânsito!"
"Ciclovias em subidas, em frente a colégios, que absurdo!"
"Deveria investir em transporte público e não em ciclovias!"
"Além das ciclovias, agora o prefeito quer diminuir a velocidade das marginais só para aumentar o trânsito!"
"Diminuir a velocidade nas marginais é burrice. Ficaremos como tartarugas!"

E etc, etc, etc.

Para início de conversa, eu sou a favor das ciclovias e da diminuição da velocidade das Marginais (embora, não utilize nenhuma delas no meu dia-a-dia). Não costumo debater muito não, pois sei que nada do que eu disser fará com que as pessoas mudem de opinião. E ainda por cima é capaz de me chamarem de "petista", por causa do prefeito Haddad. 

A lei de Godwin no Brasil mudou de sentido. Se antes os debates sobre QUALQUER COISA terminavam em "nazismo, holocausto, Hitler", agora terminam em "Dilma, Lula, culpa do PT"

O prefeito Haddad está ferrado desde quando foi eleito. É óbvio que a mídia (bem sustentada pelas empresas de automóveis) e os dependentes de carro iriam chiar como se estivessem tendo as pernas amputadas. Aliás, existem muitas coisas que podem criticar na gestão Haddad, mas nestes pontos não vejo porque criticá-lo. Pelo contrário, acho que essas ações trouxeram questionamentos importantes: por que as ciclovias são essenciais na cidade? por que diminuir a velocidade nas marginais?

Creio que a resposta para as duas perguntas esteja na mesma necessidade de se ter assentos preferenciais no transporte público: civilizar as pessoas. Termos mais respeito e cuidado com o outro. Exercitar a empatia nossa de cada dia. Pensar coletivamente e não apenas no seu umbigo. Nascemos, viveremos e morreremos em sociedade, quer queira ou não. E todo mundo sabe que se não existisse uma lei obrigando as pessoas mais jovens, saudáveis e fortes a ceder o assento para idosos, grávidas, pessoas com crianças de colo, deficientes em geral, dificilmente veríamos tanta gentileza por aí. Mesmo existindo a lei já é complicado. Até briga e tapa por lugar acontece. E eu já vi!

Com a ciclovia é a mesma lógica. Carros maiores, potentes, com mais chances de matar alguém devem zelar pelos veículos menores. Se os motoristas respeitassem os ciclistas no trânsito, não teria a necessidade de ter ciclovias. Da mesma forma, se os motoristas não corressem em alta velocidade em vias locais, ocasionando acidentes, atropelamentos e respeitassem os códigos de trânsito, não seria necessária esta ação. Aproveitando, segue link de um excelente texto desmistificando vários argumentos contra os limites de velocidade nas Marginais.

Sei que muita gente, mesmo com estes argumentos vai continuar considerando estas ações ruins e que o melhor seria dar qualidade ao transporte público. Também acho que o transporte público deve melhorar e facilitar o acesso a todos os cantos da cidade. A cidade deve ser de todos e não dos carros, diminuindo o transito. Mas até que ponto as pessoas querem realmente fazer alguma coisa para mudar isso? Ter carro é muito legal, é uma grande conquista material e é extremamente útil em diversas situações. Eu mesma penso em ter um carro nos próximos anos. Mas até que ponto um carro é útil sendo usado todos os dias, sem necessidade, apenas por comodidade, entupindo as artérias da cidade e prolongando a ida e vinda pra casa de milhões de pessoas? Acho que devemos repensar muitas coisas.

Assim como espero que os motoristas respeitem a si e o ciclista, também é urgente que AMBOS respeitem o pedestre, o mais vulnerável nesta história toda do trânsito caótico de São Paulo.






domingo, 9 de novembro de 2014

A Fórmula 1 perdeu a graça?

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Um esporte que sempre achei besta é o automobilismo. Nem sei se isso pode ser chamado de esporte. Mesmo que exista uma exigência na destreza e na concentração, considero o automobilismo apenas uma competição. Está mais para um “esporte” corporativo. Sempre achei que um maratonista é muito mais atleta do que um piloto de automobilismo. 

Graças a Deus nunca me intoxiquei com a F1. Nunca vi graça em ficar mais de uma hora assistindo carros correndo. Sem contar o barulho. É tão empolgante quanto ver uma disputa entre Microsoft e Apple. Aahhhhhhhhhh! Dá sono. No entanto, mesmo não curtindo, costumo me informar superficialmente sobre as equipes e os pilotos.

Hoje acontecerá o Grande Prêmio do Brasil, no autódromo de Interlagos, perto da minha casa. Hamilton e seu colega de equipe, Rosberg, estão brigando pelo título deste ano. Mas há muito tempo escuto muita gente dizendo que “a Fórmula 1 está chata, não tem a mesma emoção de outros tempos”.

Na época do alemão Michael Schumacher, os comentários eram os mesmos. Para os brasileiros a Fórmula 1 não tinha mais graça e o Schumacher não tinha concorrentes a altura, o oposto de Ayrton Senna que disputava com vários rivais, como Allan Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet. A partir daí todo mundo já sabe. É comparação daqui, dali, acolá, quem é melhor, quem foi isso, quem foi aquilo e blábláblá.

Particularmente, acho difícil dizer qual foi o melhor piloto. Existiram grandes pilotos, em épocas muito diferentes, mas não devemos esquecer que o objetivo principal do automobilismo é medir a capacidade do carro. Qual carro é o melhor. Essa história de que piloto bom é aquele que ganha no braço é balela. Nenhum piloto foi campeão com um carro ruim, mas sim com um carro potente.

Se eu fosse uma fanática por Fórmula 1 certamente estaria irritada com o nível dos comentaristas da categoria. Galvão Bueno e companhia sempre fazem comentários idiotas e que qualquer leigo poderia fazer: “Se chover é bom pro Massa!”. Caramba bicho, o Felipe Massa é tão medíocre que precisa de uma ajudinha da natureza pra ganhar? O pior é que a maioria dos comentários gira em torno do clima, pouco se fala dos carros. Ninguém sabe dizer por que tal carro é melhor que o outro, o que ele tem de inteligente, como é a sua aerodinâmica e outros conceitos importantes da mecânica. Quem quiser estar por dentro do automobilismo tem que correr atrás de informações em sites especializados, principalmente de outros países.

Tempos atrás, li num blog, não lembro qual, que o brasileiro só gosta mesmo de futebol. Os outros esportes só interessam se houver algum competidor brasileiro bom e com chances de ser campeão. E estou de acordo. Quando o Guga estava no auge, o Brasil era o país do tênis. Quando Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna estavam vencendo e a seleção brasileira não ganhava a Copa do Mundo, o Brasil era o país da Fórmula 1. E por aí vai.

O fato é que a Fórmula 1 continua sendo o que sempre foi. O que mudou é que desde a morte de Ayrton Senna, nenhum piloto brasileiro emplacou na categoria. A Rede Globo tentou a todo custo colocar o PODRE do Rubens Barrichello no status de ídolo e não conseguiu. A mesma coisa aconteceu com o molenga do Felipe Massa. A Fórmula 1 perdeu a graça para o brasileiro, pois os pilotos compatriotas pararam de ganhar. Por isso, acho que o brasileiro nunca gostou verdadeiramente de automobilismo. Será que os brasileiros achariam chato, caso os sete títulos do Schumacher e os quatro títulos do Vettel fossem de brasileiros? Será que achariam isso sem graça? Hum, tenho certeza que não.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Minhas Férias

Meu escritório é na beira da lagoa

Hoje voltei ao trabalho e contei um pouco aos meus colegas sobre o que fiz em meu período de descanso no mês de outubro. O mais estranho é que agora num relance nostálgico resolvi escrever sobre as minhas férias, assim como fazia nos anos 90 quando voltava de férias junto com a garotada e a professora dava como tema de redação “Como foram as minhas férias”.

E confesso que para mim era um problema escrever esta redação porque todas as minhas férias eram iguais. Ficava com minha família, não viajava, brincava com minha irmã, meus vizinhos e assistia os meus programas preferidos da televisão (Chaves, Chapolin, programas da TV Cultura, desenhos, etc). Nada de emocionante.

Mas agora vou contar resumidamente sobre o que fiz em meu período de descanso. Minhas férias, pula uma linha, parágrafo.

Nessas férias, eu vi muitas coisas fantásticas e estranhas acontecendo. Primeiro eu e minha mãe decidimos viajar de ônibus de São Paulo para Bahia, atravessando todo o estado de Minas Gerais e curtindo a paisagem. E como Minas tem montanhas, meu Deus! Não é a toa que é o estado mais montanhoso do Brasil. Porém chega um momento que enjoa. Quando chegamos no estado da Bahia a paisagem mudou completamente. Terras planas e muitos cultivos.

Paisagem do agreste baiano

Após dois dias de viagem, parando em diversas cidades finalmente chegamos em nosso destino. A cidade de Olindina, no agreste baiano, na região nordeste do estado. Em Olindina vivem minha avó, meus primos e tios. Foram dias agradáveis com muito calor, suco de tamarindo, rede, silêncio, ociosidade, histórias e banhos de água fria.

Igreja Matriz

Esta cidade inicialmente desenvolveu-se em torno da capela construída pelo beato Antonio Conselheiro, nas terras do Mocambo. Esta capela foi demolida em 1961, para atender o novo projeto urbanístico da cidade, e construiu-se outra capela a poucos metros do antigo local. Tempos depois esta nova capela daria origem a atual Igreja Matriz.

Lampião e seu bando de cangaceiros também invadiram a cidade quando minha avó tinha apenas seis anos de idade. Ainda hoje a cidade é muito pacata, mas vi uma coisa que considero muito importante: fartura. Não vi miséria em lugar nenhum (diferente de cidades grandes como São Paulo e Salvador). Vi simplicidade sim, mas muita fartura e as pessoas vivendo bem.

Depois decidimos viajar para Salvador, a capital do estado. Sempre tive o sonho de conhecer a primeira capital do Brasil e uma das cidades mais antigas do país. E me apaixonava a cada passo que dava por São Salvador. Antes da viagem escutei e também li muita gente reclamar do abandono de patrimônios culturais da cidade, dos pontos turísticos, do mal cheiro e do lixo. Vi uma cidade com problemas sociais como qualquer outra cidade grande, mas por onde passei, vi obras e pontos turísticos ganhando muita atenção do governo local.

Barra, um dos bairros mais bonitos de Salvador


Nesta passagem pela Roma Negra (outro apelido de Salvador), conhecemos um taxista sossegado que nos mostrou os principais pontos turísticos. Como ficamos tanto tempo juntos, acabei conhecendo sua esposa, uma mulher com personalidade completamente oposta a sua, sendo ela toda avexada, falante e contadora de história.

Nesse passeio passei por muitos pontos turísticos lindíssimos como Elevador Lacerda, Mercado Modelo, a Basílica de Nosso Senhor do Bonfim, Pelourinho, Lagoa do Abaeté, praias (em especial Jardim de Alah) mas nada disso superou a beleza da Barra. A água, a luminosidade, o farol, o museu, a praia. Eu não queria sair daquele lugar!

O que é que a baiana tem?

Experimentei o famoso acarajé e me rendi diante de sua delícia. Infelizmente fiquei poucos dias, mas me senti muito feliz nessa cidade. Claro que haviam os vendedores de rua que queriam a todo momento me vender alguma coisa e me dar uma fitinha do Bonfim. Afinal de contas precisam vender e ganhar dinheiro. Me lembraram os "jineteros" de Havana, com as devidas proporções, lógico. Mas sempre tentei ser o mais educada possível em minhas recusas.

De modo geral, vi um povo muito sociável, que adora conversar (as pessoas param na rua para conversar no horário de trabalho... rsrsrs) simpático, todos me tratavam como "minina" e em todo momento me respeitaram, não escutei nenhum tipo de piadinha imbecil relacionada a minha origem paulistana. Infelizmente o mesmo não acontece com pessoas de outros estados que vem viver ou conhecer minha cidade.

Na volta, viemos de avião, minha primeira viagem do tipo. Embora tenha ficado muito tensa, relaxei e gostei da sensação de viajar de avião. Mas confesso que me senti mais aliviada quando coloquei meus pés em terra firme. rsrs

Na tranquilidade das minhas férias, totalmente desligada do meu trabalho, também aproveitei para ler. Levei na mala o livro "Almanaque do Samba" de André Diniz e lotei meu celular de sambas de diversas épocas e estilos para que a leitura se tornasse mais interessante. Ainda não terminei o livro, quero "degustá-lo" aos poucos, mas assim que eu finalizar a leitura farei um post especial a respeito.

Neste período de também vivenciei todo o clima político provocado pela eleição presidencial e aqui começam as coisas estranhas. Saí de São Paulo, uma cidade extremamente antipetista, para ir a uma região totalmente petista. Em Salvador, vi pessoas caminhando com adesivos da Dilma no peito (vi apenas um aecista). Todas as pessoas que eu conheci revelavam seu voto na presidenta e explicavam o motivo da escolha contando os sucessos que obtiveram no governo petista. O clima estava tão amigável que até eu andei pelas ruas de Salvador com um adesivo da candidata do PT. 

Voltando para São Paulo tudo mudou de figura, um clima mais tenso e mais aecistas no pedaço. Além disso o facebook andava uma enorme chatice com trilhões de postagens sobre Aécio e Dilma. Uns apoiando seus candidatos, outros criticando o adversário. Mas fiquei triste em ver tanta intolerância com a escolha alheia, com o festival de preconceitos escrotos, com tanta gente querendo ser "o dono da verdade e da moralidade". 

Para tentar aproveitar o resto de férias também fiz uma viagem rápida para São Vicente, a cidade mais antiga do Brasil. Passei um maravilhoso dia na praia de Itararé. No dia seguinte, finalmente fui visitar a exposição sobre o programa infantil Castelo Ra Tim Bum. Muitas memórias infantis foram ativadas e fiquei extremamente feliz em conhecer um pouco deste programa de televisão que me proporcionou muitos conhecimentos na infância.

Exposição do Castelo Ra Tim Bum
Minhas férias chegaram ao fim e com ela veio o pensamento de que a vida é preciosa demais para não darmos valor a ela. A correria do dia-a-dia maltrata demais nosso corpo e nossa mente. Por isso não vejo a hora que cheguem logo as minhas próximas férias.